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sábado, 27 de outubro de 2012

MILAGRE OU SUPERAÇÃO?!!!



- Você tem câncer!!! 


Foi como estivesse arrancado o chão dos pés de Lucia, ao ouvir a sentença de morte de seu médico.

Lucia, uma jovem senhora no auge de seus 47 anos sendo 27 de casada, não esperava pela noticia ao fazer um exame ginecológico de rotina, onde foi constatado um câncer em sua região uterina.

Já havia se passado dois anos que se recuperava de um AVC ( Acidente vascular cerebral), que levou parte de seus movimentos da parte direita de seu corpo, e também sua cegueira total de seu olho direito, e parcial de sua visão direita.

O que era uma luta para sobrevivência diária, agora se tornaria uma guerra contra a morte anunciada. Teria que se armar com coragem, ânimo, e principalmente a Fé, que já a havia abandonado a tempos.

Lucia não tinha filhos, o que para ela, acabou se tornando um alívio, já que o óbito iminente, no caso do fracasso do tratamento, mas teria que seguir em frente em uma luta injusta, e humilhante, que a doença proporciona.

Ela tentava sorver os fatos, e tomar força para que pudesse tomar uma decisão de se tratar ou não, uma vez que foi orientada a ter que tomar decisões que teriam sequelas para o resto de sua curta vida, tal como a retirada de seu útero.

- Mas Doutor, eu só queria ter um filho!!! E agora??? Pergunta ela de cabeça baixa tentando enxugar suas lágrimas com um lenço de papel oferecido pelo médico.

- Sinto muito!!! Responde ele. - Esses são o procedimento para tentar lhe dar uma sobrevida.

Lucia lembrou de sua juventude, o quão era feliz, com seus amigos, seus familiares, onde se reuniam para comemorações e festas, em que todos a elogiavam por sua virtude em forma de beleza, bondade e principalmente a coragem de seguir em frente, apesar dos obstáculos que a vida lhe oferecia.

Lembrou também que grande parte de seus amigos queridos se afastaram frente ao seu AVC, coisa que ela não queria admitir, pois não ligava para os olhares incrédulos e até mesmo de espanto, para sua boca torta, devido a paralisia cerebral, e de seu jeito de andar, como  estivesse se arrastando pela casa.

Pois somente a companhia deles já bastava, para aliviar o sofrimento, mas eles se foram, um a um, aos poucos até perderem todos, o que não foi bom para sua recuperação.

E agora com o câncer? Questionava ela, já não tenho ninguém, para me consolar, e muito menos para me apoiar, e meu esposo? Como vai suportar tudo isso?, será que vai me deixar também? Questionava-se com um calafrio que passava pelo corpo só de imaginar seu futuro obscuro.

Lembrou também que em sua juventude, chegou a blasfemar de Deus seu criador, dizendo que Ele havia se esquecido dela, por não ter lhe dado a dádiva da concepção, e o prazer divino de a tornar mãe.

Foram inúmeras tentativas de engravidar, porém todas falhas, e as frustrações e decepções, assim como a crise no casamento vieram juntas, como efeito dominó.

E como a dor das derrotas do intento falho em conceber uma criança era tanta, que passou a evitar contato com filhos de suas amigas, e até mesmo com outras crianças, fazendo com que abandonasse o emprego de professora em uma escola de alfabetização.

- Meu Deus porque só comigo? Sou seca? Impura?, o que devo fazer para ter um bebê?

- Arrancar meus olhos?

- Meus braços?

- Minhas pernas?

- Meus órgãos genitais? Lembrou dessas palavras  que dizia a cada vez que uma tentativa de ficar grávida não lograva o êxito desejado, até se passar muito tempo e vir a desistência, e a conformidade e principalmente o abalo de sua saúde com os acontecimentos fatídicos que viriam marcar sua vida para sempre.

Os amigos se foram, agora com a notícia do câncer uterino, os familiares já não vinham com frequência em sua casa, e ela se sentia abandonada, desprezada e principalmente humilhada pelo preconceito contra a enfermidade, mas tinha que seguir em frente.

Começou os tratamentos, que lhe causou grande sofrimento, como enfraquecimento, perda dos cabelos, e a rejeição dos familiares e principalmente do esposo, que tinha medo até mesmo de toca-la, com receio de feri-la.

Já não havia relações entre o casal, mas ela insistia em manter as aparências perante os poucos familiares que os visitavam.

Como se não bastasse o sofrimento, seu esposo anuncia o rompimento de anos de casamento, pois não aguentava mais a situação constrangedora perante amigos e familiares que a doença oferecia, e mais uma vez o chão desabou aos seus pés.

Em um misto de desespero, angustia e auto-afirmação, na tentativa de resgatar a última porção de dignidade, propôs ao futuro ex-marido, uma última noite de amor, pois ela queria se sentir viva, queria se sentir mulher.

E assim o marido a possuiu, sem desejo e com obrigação de um favor, mas com nojo, pena a angustia para que o ato terminasse logo, o que a fez se sentir doente, imunda, podre, mas principalmente como qualquer outra coisa que não fosse mulher.

E isso a abalou muito, fazendo com que, após a partida de seu esposo, abandonasse seu tratamento tão sofrido e tão cruel, pois havia se entregado a própria sorte, deixando com que o tempo e o avanço da doença a libertasse de uma vez por toda dessa vida que não fazia mais sentido.

O tempo se passaram e após 4 meses, achava que tinha feito a coisa certa em abandonar o tratamento, pois já não sentia o mal estar causado pelos efeitos colaterais da medicação, não a importunava mais, sentia-se muito bem, apesar de todos os amigos e familiares se afastarem de sua vida.

E estando sozinha em casa, ocupava em esquecer de tudo, e aguardar a execução da sentença de morte, em seu lar, e do seu jeito como havia prometido a si mesma.

Cuidava do jardim de suas flores, e sempre deixava sua casa limpa a ponto que imaginava que a qualquer hora receberia visitas, o que nunca aconteceu.

Sendo que certo dia seu ex-marido aparece em sua casa para pegar alguns documentos, e quando ela o recebe, é tomada de uma emoção e angustia, que a faz desacordar na frente da porta de entrada, o deixando apavorado, fazendo com que chamasse uma ambulância a fim de socorrê-la.

Tão logo a chegada do socorro, levaram-na a um hospital mais próximo de seu bairro, e seu ex-marido os seguem em seu próprio carro, fazendo com que minutos depois ao hospital afim de receber a notícia que já era esperada por todos, sendo que no caminho ele já havia antecipado aos seus amigos e familiares do fatídico e inevitável acontecimento.

Logo na entrada do hospital, o ex-marido, tomado de sentimento de dor, culpa e arrependimento por ter abandonado o grande e outrora amor de sua vida , encontra o médico, e já  vai interrompendo antes do médico sentenciar.

- Doutor a culpa é toda minha, eu não deveria ter agido dessa forma com ela, não fui um bom esposo, não fui forte para suportar, eu só queria pedir perdão a ela poder dizer o quanto a amei e ainda a amo, mas agora é tarde, é o fim para mim, e um começo de nova vida a ela.

O Doutor sem entender muita coisa responde:

- Rapaz, claro que a culpa é sua, pois ninguém ou melhor nenhuma mulher consegue engravidar sozinha...Parabéns você será papai!!! E pode ter a certeza que com essa idade, alguém lá de cima gosta muito de vocês, e não é o fim para você, mas sim um começo de uma nova vida para o casal e o futuro bebê. Decreta o médico.

O ex-marido atônito e incrédulo retruca:

-Mas doutor, minha esposa está com câncer em faze terminal, achei que ela não iria resistir...

O médico mais uma fez sorrindo faz uma confidência aos ouvidos do ex-marido:

- Rapaz sua esposa tem um útero e seu aparelho reprodutor de uma garota de 18 anos, e sua saúde e a do bebê estão ótimas, e acho melhor você não perder tempo e ir ter com ela, pois ela o aguarda ansiosamente para compartilhar essa felicidade com você.

Passados o período de gestação, Lucia ganhou uma linda menina, que lhe deu o nome de Vitória, que está saudável, e cheia de vida, fazendo a alegria de sua mãe, que não sabe o motivo de estar curada e limpa.

Hoje aos seus 50 anos e com uma bonequinha de 3 aninhos, e perguntada o que ela fez para receber essa criança como se fosse quase um milagre.

E ela é categórica em afirmar:

- Em minha juventude com raiva de meu Deus todo poderoso, ofereci, meu braço meus olhos, minhas pernas e meu corpo todo para que ele arrancasse tudo, mas não ofereci meu amor a Ele e minha Fé, em crer que tudo posso Naquele que me fortalece, pela força do Seu poder que opera em mim.

- Mas Ele em sua misericórdia me limpou e me purificou para plantar a semente de um anjo que você está vendo agora, para a honra e glória Dele.

- Por isso dou glória a Jesus e ao meu Deus vivo, que mesmo nós sendo imundos e impuros e nos achando como lixo Ele ainda nos ama.

- Pois Jesus é o maior dos recicladores, pois pegam lixo como nós e nos reciclam, nos transformando em algo úteis para sua honra e glória.

Hoje Lucia e Vitória que são a grande benção da bondade e misericórdia de Deus, vivem felizes, e seu ex-esposo que tornou a pedir novamente a mão de Lucia em casamento no dia que ficou sabendo de sua gravidez, e que foi aceito com grande alegria por ela, já não está mais aqui, pois foi colhido e levado aos Céus pelo Senhor.

Seu esposo faleceu de câncer de próstata em menos de um ano, após o nascimento de Vitória, e apesar dos sofrimento de seu tratamento, Lucia nunca o abandonou, assim como Deus nunca abandona aquele que os amam, e até mesmo os que não acreditam que sempre existirá um grande Deus que nas piores horas e momentos de nossas vida, nos ampara e nos protegem de todo o mal, pela sua imensa misericórdia.

Ps. Texto e personagens fictícios baseado em uma história real.

Comentem se quiserem.

Heber & Chica. 











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